4º simpósio you.up

Mais de 500 pessoas se reuniram em Joinville, no mês de agosto, para discutir um desafio que envolve educadores, famílias e profissionais de diferentes áreas: como criar melhores condições para que crianças e adolescentes aprendam?

Esse foi o ponto central do 4º Simpósio You.up, realizado no Teatro Juarez Machado. Durante dois dias, professores, estudantes e profissionais da saúde e da educação participaram de palestras e atividades sobre aprendizagem, neurociência, dificuldades de aprendizagem, fluência leitora, inclusão e educação baseada em evidências.

O encontro trouxe conceitos e reflexões que podem ser levadas para o cotidiano. Confira alguns dos principais insights.

1. Dificuldade de aprendizagem não define o potencial do estudante

Quando uma criança encontra dificuldades para ler, escrever ou acompanhar uma atividade, é comum que surjam interpretações como falta de atenção, preguiça ou desinteresse.

O Simpósio reforçou a importância de olhar além desses rótulos. Antes de concluir que um aluno “não consegue aprender”, é preciso entender o que está dificultando esse processo e quais estratégias podem ajudá-lo a avançar.

Na prática, isso significa observar o que a criança já consegue fazer, em quais situações encontra mais dificuldade e quais recursos favorecem sua participação.

Uma atividade dividida em etapas menores, instruções mais claras ou mais tempo para concluir uma tarefa podem fazer diferença sem reduzir o objetivo de aprendizagem.

Leia mais: Desenvolvimento da aprendizagem: caminhos para estimular o potencial de cada estudante

2. Evidências ajudam a orientar melhores escolhas

As palestras de Simone Capellini, professora e fonoaudióloga, e Gabriel Brito, pedagogo, trouxeram discussões sobre dificuldades de aprendizagem e fluência leitora, destacando a importância de estratégias fundamentadas em evidências.

A educação baseada em evidências utiliza conhecimentos científicos, observa os resultados e ajusta as estratégias quando necessário.

Uma revisão realizada pela 3ie, que analisou 238 estudos sobre intervenções educacionais em 52 países, reforça a importância de considerar evidências ao avaliar práticas voltadas à participação e à aprendizagem.

Leia também: Como o trabalho do fonoaudiólogo impacta o processo de aprendizagem de crianças e adolescentes?

3. Conhecer como aprendemos ajuda a ensinar melhor

A aula magna da neurocientista Marta Relvas colocou a relação entre neurociência e aprendizagem em destaque. Conhecer aspectos relacionados ao funcionamento do cérebro pode contribuir para decisões mais conscientes na educação.

É importante, porém, evitar interpretações simplificadas, pois a neurociência não oferece uma receita pronta para ensinar. Ela ajuda a compreender que o aprendizado está relacionado a diferentes fatores, que vão além do conteúdo apresentado em sala.

O sono é um exemplo. Um estudo da PubMed com crianças encontrou associação entre maior duração do sono e melhor funcionamento cognitivo, embora os autores ressaltem a necessidade de pesquisas mais rigorosas. Pensar em aprendizagem também envolve olhar para descanso, rotina, saúde, emoções e relações.

4. Inclusão é criar diferentes caminhos para aprender

Em paralelo ao 4º Simpósio You.up, aconteceu a 1ª Mostra de Arte Inclusiva, com 57 obras de artistas com dislexia na exposição “Dislexia quando arte”.

Crianças de escolas públicas de Joinville também participaram de atividades artísticas e experiências relacionadas a diferentes formas de aprender e se expressar. O evento contou ainda com uma apresentação da Companhia Ballet de Cegos, do Instituto Fernanda Bianchini, e com uma esquete teatral do Instituto Ímpar.

A experiência traz uma reflexão para os profissionais da educação: nem todos os estudantes precisam demonstrar o que sabem da mesma maneira. Uma criança pode explicar oralmente algo que ainda tem dificuldade para registrar por escrito. Outra pode compreender melhor um conteúdo quando ele é apresentado de forma visual ou prática.

5. Aprendizagem é um trabalho de rede

Outro ponto importante foi a necessidade de aproximar escola, família e profissionais de diferentes áreas. Quando uma criança ou um adolescente apresenta dificuldades persistentes, diferentes perspectivas podem contribuir para compreender melhor suas necessidades e definir estratégias de acompanhamento.

Essa atuação conjunta também evita que a responsabilidade pelo processo fique concentrada em uma única pessoa. O professor não precisa ter todas as respostas sozinho. A família também não. Construir uma rede de apoio é parte importante desse caminho.

Saiba mais: A importância da parceria entre família e escola no desenvolvimento de crianças e adolescentes com dificuldades e transtorno de aprendizagem

O que fica para a prática?

O 4º Simpósio You.up mostrou que aprendizado e possibilidades caminham juntos:

Como resumiu Felipe Ponce, o Pippo, fundador do DislexClub e embaixador do evento, a educação pode encontrar caminhos diferentes quando se apoia em conhecimento e em práticas baseadas em evidências.

É nessa busca por diferentes caminhos que a aprendizagem pode se tornar mais significativa e possível para cada estudante.

Referências:

Crédito da imagem: Caroline Rosa